I Encontro de coletivos e coletivas de mulheres fotógrafas latinoamericanas

Realizado no dia 24 de abril de 2021, como parte da programação do I Festival de Fotógrafas Latinoamericanas

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O encontro de coletivos foi o evento escolhido para encerrar a primeira edição do Festival de Fotógrafas Latinoamericanas por acreditarmos que, através de seus formatos colaborativos, estes grupos naturalmente aportam mudanças nos processos históricos de exclusão das autoras no campo da fotografia. Por tanto, principalmente pensando no Eixo curatorial desta edição, Fluxos da (in)visibilidade, acreditamos na pertinência de realizar este encontro, permitindo gerar um espaço de intercâmbio de experiências e fortalecendo as colaborações em rede. Além disso aproveitamos a ocasião para propor um exercício de criar coletivamente um banco de propostas para auxiliar a aumentar a visibilidade da produção das fotógrafas latinoamericanas.


O resultado do encontro foi enriquecido parte pelo grande número de participantes, parte pelas diferenças de formatos, propostas, objetivos, culturas e línguas, mas sobretudo pela ampla experiencia em comum em trabalhar coletivamente. 


A divisão das salas foi feita por ordem alfabética dos nomes dos coletivos.

Sala 1:

 

Coletivos presentes:

AFI Woman
Brincantes de Imagens
Colectivo Em Blanca y Negra
Coletivo Hemera
Colectivo SolipsisArt Ecuador
Colectivo Fronterizas
Coletivo 7Mulheres
Cuerpa Fotográfica


Mediação e relatoria de Erika Tambke

As apresentações da sala 1 se caracterizaram como diversas - no estilo dos coletivos, suas nacionalidades e mesmo as regiões brasileiras representadas. Entre os temas abordados, alguns foram colocados por mais de um grupo. A questão etária apareceu tanto pela força e energia das mais jovens presentes como das força de trabalhos que abordam mulheres mais velhas, em espanhol “mayores”, em sua plena atividade e seu protagonismo, trazendo imagens que não costumam ser veiculadas de maneira ampla.


O território foi outro tema costurado por alguns trabalhos e coletivos, desde a sua relação intrínseca com a criação do coletivo até como desenvolvimento de ensaios, dentro de outros debates. 


Uma necessidade apontada por muitas participantes do encontro foi a criação de uma rede de coletivos de fotógrafas. Como organizar essa rede foi alvo de debate. Criar subdivisões por tipos de trabalho ou coletivos? Ou manter a diversidade que estabelece uma rede a partir da soma dos coletivos?
A rede foi entendida como um apoio para troca de conhecimento, fortalecendo coletivos que se sentem menos preparados para algumas atividades, tais como produção dos eventos e exposição de fotografia; publicação de livros ou mesmo de saber das datas e procedimentos para participar dos festivais.
A rede poderia promover a divulgação dos editais e convocatórias, aumentando a visibilidade dos coletivos.


Além de criar aba no website dedicada aos coletivos, falou-se ainda da importância de aumentar a visibilidade às mulheres de maneira geral, não apenas as fotógrafas. 


Sala 2:

Coletivos presentes:
Culebra Colectiva: com Tatiana Sardá, Carolina Agüero e Paula Lopes Droguete. (Chile)
DAFB- Coletivo de Mulheres e Pessoas Transgênero do Departamento de Fotografia do Brasil: com Larissa Amaral e Heloisa Machado.
Estria Foto Coletiva: com Thais Andressa. (Minas Gerais, Brasil)
Fotógrafas Guarulhenses: com Rosi. (São Paulo, Brasil)
FEMAP / Fotografas en el mapa.org: com Diana Cano e Sonia Madrigal. (México)
IACI: com Natália Bezerra e Francielle Alves. (Alagoas, Brasil)
Imprudência Fotocoletiva: com Jessica Orellana. (El Salvador)
Mamana Coletiva: com Babi e a Janine. (Brasil)
Media Real: com Anita. (Uruguai)


Mediação e relatoria de Joana Mazza

 


Descentralização do conhecimento e da produção: este talvez seja um dos principais motivadores em comum entre os coletivos participantes desta sala. Estes grupos se caracterizaram por ter especial atenção ao estímulo ao desenvolvimento e produção de autoras que não estão localizadas dentro dos principais pólos regionais de produção visual. Estes coletivos buscam construir vias singulares também para a difusão desta produção, sendo caracterizadas pela colaboração com outros coletivos e meios alternativos. Outro importante fator em comum é a proposta de cartografia e mapeamento de autoras, tanto em nível regional, como em nível internacional.


Entre as principais propostas desenvolvidas no encontro, destacam-se:
É preciso reconhecer que quanto mais mulheres estiverem trabalhando no campo, a própria forma de trabalhar irá ser alterada também. Através das redes propostas pelos coletivos é possível alcançar o suporte entre as mulheres, apoio mútuo, intercâmbio e colaboração, nesse sentido a ideia de horizontalidade é fundamental. O intercâmbio de ferramentas de trabalho devem visar também o estímulo ao desenvolvimento profissional e ampliar a capacidade de alcançar os fundos necessários para desenvolver os projetos. Oficinas direcionadas para elaboração de projetos se viram como um tema de destaque, assim como a necessidade de colaboração para difundir os editais a nível regional e internacional. É importante reconhecer a importância de plataformas de mapeamento de fotógrafas, como a exemplo do FEMAP, Fotógrafas en el Mapa (http://www.fotografasenelmapa.org/). A questão do assédio foi outro ponto importante, e, a exemplo do DAFB foi proposto uma cartilha educativa definindo claramente o que é considerado assédio. Ainda com relação a este tema, foi levada em consideração a questão da ausência de lugares seguros para serem feitas as eventuais denúncias. Também foi sugerido que os festivais e instituições deveriam assumir o comprometimento em apresentar relatórios de visibilidade das fotógrafas em suas programações. 

 

 


Sala 3:

 

Coletivos presentes:

Mirada de Mujer – Miram
NegrasFotosGrafias
Punho
Treluci Coletivo
Vagón de Mujeres de MetroChilango
04WEB
7fotografia

Mediação e relatoria de Maíra Gamarra

 

Diferentes razões motivam a formação de coletivos e coletivas de fotógrafas. Diferentemente do que muitas poderiam imaginar, nem todos os coletivos formados exclusivamente por mulheres surgem com demandas especificas às questões de gênero, alinhadas as diferentes vertentes do feminismo, ou a partir de preocupações ligadas às desigualdades enfrentadas pelas mulheres no campo da fotografia. O grupo 03, formado no Encontro de Coletivos organizado pelo Festival de Fotógrafas Latinoamericanas, reuniu integrantes dos coletivos: Mirada de Mujer – Miram (Chile), NegrasFotosGrafias (Brasil), Punho (Brasil), Treluci Coletivo (Brasil), Vagón de Mujeres de MetroChilango (México), 04WEB (Brrasil), 7fotografia (Brasil) e pôde evidenciar a ampla gama de motivações que levam mulheres a participar destes grupamentos. 

Enquanto alguns surgem buscando fortalecer a si mesmas ou a luta feminista dentro do campo da fotografia, devido à percepção das muitas desigualdades e injustiças enfrentadas nos diferentes espaços que ocupam, entendendo que estas aproximações fortalecem suas atuações. Outros se formam quase por acaso e nascem como dissidências de grupos mistos ou pela afinidade entre amigas e conhecidas que resolvem atuar coletivamente como forma de apoiar-se no desenvolvimento de outras atividades paralelas ao ato de fotografar profissionalmente, ainda entendido como atividade essencialmente solitária, mas que se percebem mais à vontade ou em sintonia ao compartilhar entre mulheres.


Indo muito além da questão de gênero, estas formações tem como objetivos a criação de redes, expor e visibilizar os trabalhos, compartilhar experiências, realizar ações coletivas, muitas delas em ocupações urbanas, mas, especialmente, evidenciar o trabalho das mulheres fotógrafas (e às vezes até não fotógrafas também, como no caso do Vagón de Mujeres de MetroChilango).

Outras temáticas que pudemos perceber que perpassam as preocupações dos coletivos que estiveram presentes ao encontro são questões raciais, generacionais e de território. Cabe ressaltar também que é notável o crescimento no número de coletivos em razão da pandemia, um dos grupos presente se formou diante e em razão do atual contexto, como estratégia para possibilitar a continuidade dos diálogos suspensos devido ao isolamento. 

De fato, percebe-se como o avanço do universo virtual tem possibilitado potencializar encontros antes inviáveis devido à distância física. Entretanto, é unânime o desejo e a necessidade de instâncias presenciais, tanto de reunião entre coletivos no sentido de expandir esta rede regional e promover ações conjuntas, como de expandir as atuações destes grupos. 

BANCO DE PROPOSTAS

Criação de Rede de Contatos.

Troca de conhecimento sobre produção de eventos.

Troca de conhecimento sobre produção de publicações.

Troca de conhecimento sobre editais e festivais.

Aba no website dedicada ao Banco de Propostas.

Aumentar a visibilidade das mulheres em geral, não apenas fotógrafas.

Amplo compartilhamento das redes e contatos dos coletivos presentes ao encontro, para que todas possam seguir e acompanhar, fortalecendo os trabalhos uns dos outros. 

Criação de estratégias de ações conjuntas entre coletivos, como forma de aproximar grupos que não necessariamente tenham relações entre si, a exemplo de exposições, fotolivros, catálogos etc.

Criação de um espaço virtual (plataforma) exclusivamente de compartilhamento das atividades desenvolvidas pelos grupos.

Fortalecer as plataformas que já existem e que de alguma forma contribuem para os objetivos compartilhados pelos coletivos, tais como: www.redlafoto.org e http://www.fotografasenelmapa.org/ 

 

Motivar a realização de mais eventos voltados para as mulheres fotógrafas como o FFALA e o Encontro de coletivos e coletivas.

Criação de associações ou conselhos em diferentes instâncias -  do local ao regional.

Estimular para que os festivais e instituições publiquem “relatórios de visibilidade” com estatísticas das participações das autoras nos diferentes níveis.

Divulgar a cartilha educativa do DAFB com informações sobre assédio no campo da fotografia. 

Criação de um espaço seguro para denúncias de assédio e outras formas de abusos sofridos pelas fotógrafas.